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Meg Stuart de volta a Lisboa

por joanacontente, em 31.01.14
The expression ‘built to last’ betrays a belief in eternal values, heroism and universality. At the same time, we have the urge to continue reinventing ourselves. We have to move forward. Many things are designed to break after a short time. There is also the sense of an approaching end. Everyone is preparing for it. It is sad, but that’s the way it is.
Meg Stuart 
 
O nome de Meg Stuart é incontornável se queremos falar da performance e da dança num panorama contemporâneo. Felizmente para nós, portugueses, a coreógrafa americana tem mantido uma relação próxima com o nosso país e está de volta ao nosso palco, desta vez no Maria Matos.
Esta semana, podemos ver Built to Last, pela Damaged Goods, a companhia da coreógrafa residente em Bruxelas e com quem criou mais de trinta coreografias ao longo do anos, a par de projectos de improvisação, dança, teatro num cruzamento de linguagens que vão desde o teatro, à dança ou às artes visuais. 
 
Built to last é então um espectáculo criado e interpretado por cinco bailarinos, que estabelecem uma ligação surpreendente com a música. A dramaturgia musical, a cabo de Alain Franco, confere à coreografia uma dinâmica que leva os intérpretes a agir e reagir aos ambientes sonoros que vão experimentando. Meg Stuart, que habitualmente trabalha com músicos que participam durante o processo criativo, desta vez usa composições que vão do século XIII ao século XX, como Rachmaninoff, Beethoven, Meredith Monk, (a lista completa das músicas pode ser vista abaixo). Numa perspectiva emotiva e sensorial ao que se ouve, os intérpretes viajam no tempo, na história da música, colocando-nos questões que, tal como as músicas, foram feitas para ficar. What is it that music releases in us?  (...) in Built to Last we let the music force us to adapt to new forms, time and time again. In each form we looked for complex, subtle manoeuvres. The slightest movement, a single glance, can make iconographic, monumental pictures into something ambiguous and human. 
O início do espectáculo sugere-nos um regresso a Schlemmer, ao Ballet Triádico da Bauhaus, com movimentos geométricos, mecanizados e quase robóticos, debaixo de um grande sistema solar que, mais tarde, nos dará a noção universal e gigantesca da música, da nossa pequenez, de uma tentativa de relação ou de regência. A monumentalidade da música e dos ambiente que se criam através dela, faz os intérpretes parecerem, em vários momentos, inocentes. Humorístico e jocoso, é um espectáculo que, ao mesmo tempo coloca, como é habitual na coreógrafa, o ser humano no limite da impotência e da fragilidade. E este ponto de vulnerabilidade leva-nos a reconhecer os bailarinos como crianças que brincam com os clássicos, os dinossauros musicais. Os cinco bailarinos, através do contacto e olhares cúmplices, envergonhados, infantis ou de uma loucura angustiante, transportam-nos, durante duas horas, para uma viagem ao espaço. Ao universal e ao mais íntimo de nós mesmos.
 



Actualmente com três espectáculos em digressão - VioletBuilt to last e Sketches/notebook - Damaged Goods estará hoje ainda no Teatro Maria Matos. 
BUILT TO LAST
coreografia Meg Stuart
criado com e interpretado por Dragana BulutDavis FreemanAnja MüllerMaria F. ScaroniKristof Van Boven
dramaturgia Bart Van den EyndeJeroen Versteele
dramaturgia musical Alain Franco
design de som Kassian Troyer
cenografia Doris Dziersk
figurinos Nadine Grellinger
luz Jürgen TulzerFrank Laubenheimer
vídeo Philipp Hochleichter
Lista de músicas
Hymnen Region II - Karlheinz Stockhausen
ThalleïnIannis Xenakis
Symphony No. 3 “Eroica”- Ludwig van Beethoven
Lontano -  György Ligeti
Vespers Op. 37 No. 1Sergeï Rachmaninov
Symphony No. 9 “From the New World“- Antonin Dvoràk
Sederunt Principes Pérotin
Pierrot Lunaire: Der Kranke Mond - Arnold Schönberg
Astronaut Anthem Meredith Monk
Symphony No. 9Anton Bruckner
Le Temps et l’Ecume Gérard Grisey
AtmospheresGyörgy Ligeti
Misa “Et ecce terrae motus“ - Antoine Brumel
Gurrelieder: Seht die SonneArnold Schönberg
(Em 2007, realizou-se um ciclo dedicado a Meg Stuart, a cabo de Mark Deputter, então programador de dança do Teatro Camões e director do Festival Alkantara, numa parceria entre o CCB, a Culturgest e o Teatro Camões. Nessa altura, pudemos contar com uma masterclass, conversas, filmes e vídeos, trazendo-nos ainda Blessed (com Francisco Camacho, da EIRA, e com quem tinha também criado Disfigure Study, no início dos anos 90), Maybe ForeverSand TableIt's not funny e Auf den Tisch (com a participação de Miguel Borges, Vera Mantero e o músico Carlos Zíngaro). A ligação com Portugal vem já desde os inícios dos anos 90, tendo colaborado em diversos programas como o ACARTE, Festival de Danças na Cidade, com Skite 94, em 1994, enquadrado no Lisboa Capital Europeia da Cultura e 1998 com Crash Landing.)

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publicado às 17:33



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