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Rosas danst Rosas trinta anos depois

por joanacontente, em 19.11.13

 

O que Beyoncé ficou a dever a Anne Teresa de Keersmaeker, ficamos nós a dever a Beyoncé. Há uns anos atrás, quando foi lançado o vídeo no qual a coreografia da cantora plagiou Rosas danst Rosas,  dando que falar por entre o meio artístico, não fazíamos ideia do que poderia vir daí. 

À dança na Bélgica, marcada até então pelo aclamado coreógrafo Béjart, a belga Keersmaeker veio introduzir novas possibiliaddes não só de movimento, mas também de significado. E é isto que assistimos nas coreografias que se seguiram. Sentidos e formas contraditórias, formalismo/expressionismo, o pensar e o sentir, marcando uma relação óbvia com a música que, no caso de Rosas danst Rosas, foi composta a par com a coreografia.

A coreógrafa Anne Teresa de Keersmaeker  depois de ter inaugurado a sua companhia Rosas, em 1983, coreografa aquela que se tornaria uma das mais célebres coreografias. Rosas danst Rosas apresenta-nos uma sequência de movimentos, cuja dramaturgia podemos associar a uma leitura sobre o papel da mulher. Numa companhia formada apenas por baliarinas, assitimos a corpos femininos no espaço com sentidos e formas distintas. Ora vemos o corpo expressionista, no sentido emocional, como que numa representação daquele que era tido como o papel social da mulher, ora o vemos num desenrolar de processos mecânicos/industriais, misturando a convenção social com a mecânica no espaço, de forma marcadamente estrutural.
Era a constituição daquilo que poderíamos chamar de afirmação feminista.

Trinta anos depois da sua estreia em Bruxelas e depois de Beyoncé ter roubado partes desta coreografia, Anne Teresa de Keersmaeker cria o projecto Re:Rosas. Um projecto no qual todos podem dançar Rosas, enviar os vídeos e vê-los publicados e espalhados no mundo inteiro. Os passos são dados, a estrutura é apresentada, só fica a faltar aquilo que a coreógrafa criticou no vídeo de Beyoncé: as intenções de afirmação da mulher, do girl power, do assumir uma expressão sexual feminina. Neste projecto todos dançam. Homens, mulheres e crianças. Será que as afirmações do passado que têm repercussões brutais no presente poderão ser adaptadas e repetidas sem ter em conta esse impulso criativo? Ou será isto a celebração da evolução social, uma festa na qual todos são convidados a participar, porque se espera que não seja mais reconhecível a situação dos géneros de há trinta anos?

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publicado às 12:31



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